Alunos com mais de 23 anos na ESEF: um projecto de sucesso
A propósito dos últimos dias para inscrição nas provas para maiores de 23 anos, o responsável pelo gabinete de Acesso e Ingresso escreve sobre o sucesso destes alunos na ESEF
Os alunos com mais de 23 anos têm vindo a ocupar uma posição de destaque na população estudantil das nossas Escolas. Em 2010, a ESEF acolheu 55 novos alunos que se candidataram ao ensino superior através da realização das provas especialmente adequadas para acesso ao ensino superior de Maiores de 23 anos (Decreto-Lei n.º 64/2006 de 21 de Março). Em 2011/2012 mais de meia centena de candidatos devem procurar o IESF.
No sentido de cumprir as orientações da Declaração de Lisboa e do Processo de Bolonha, o IESF tem promovido a formação ao longo da vida, visando o desenvolvimento profissional e o crescimento pessoal de populações variadas e o incremento de oportunidades de acesso de todos à educação, ao conhecimento e aos instrumentos para a progressão profissional e social. Além do desenvolvimento pessoal, a formação superior, aumentando o grau de especialização do indivíduo, aumenta as possibilidades de um melhor rendimento salarial: Em 2006, os licenciados tinham em média um salário base mensal de 1625 euros e o salário médio de um trabalhador com o nível de ensino secundário era de 862 euros. O benefício marginal de obter um grau académico acima do ensino secundário era, em média, 763 euros, ou seja, próximo do salário de um trabalhador com o ensino secundário (Fonte: Boletim Económico do Banco de Portugal, 2010).
Os alunos Maiores de 23 anos a frequentar Cursos da ESEF são, na generalidade, indivíduos extremamente motivados para a aprendizagem e que percebem a licenciatura como uma oportunidade para modificar o seu estatuto socioprofissional sem alterar, na maioria dos casos, a área profissional de intervenção e a entidade empregadora: a Licenciatura em Educação Física e Desporto é procurada principalmente por atletas, treinadores e profissionais ligados à área da educação física e desporto, a Licenciatura em Educação Básica acolhe forte representação de profissionais ligados ao sistema de ensino, em funções menos qualificadas, e a Licenciatura em Educação Sénior tem forte atractividade para profissionais com ligações ao serviço social e do voluntariado.
Os estudos realizados pela Escola revelam que a integração destes alunos se processa de forma fácil.
A generalidade dos colegas considera que as dificuldades que estes estudantes possam encontrar em alguns domínios são compensadas por vantagens em outros domínios, especialmente pela ligação que muitos deles têm às áreas profissionais dos cursos, e ao empenho pessoal na formação.
Segundo os docentes, estes alunos conseguem resultados académicos semelhantes aos restantes estudantes, uma vez que são interessados, fortemente motivados, e são efectivos no trabalho autónomo.
A análise das classificações finais de curso obtidas pelos alunos nos cursos de 1.º ciclo com uma edição concluída parecem confirmar a completa integração desta população ao nível dos resultados académicos: na Licenciatura em Educação Básica, os alunos Maiores de 23 anos tiveram uma avaliação média final de curso de 13 valores e enquanto os restantes alunos tiveram uma classificação média de 13,4 valores e na Licenciatura em Educação Sénior, os alunos Maiores de 23 anos terminaram as licenciaturas com uma classificação média de 14,4 valores, 0,2 valores a menos que a classificação média dos restantes alunos.
Em síntese, os indicadores de sucesso destes alunos colocam-nos em plano de igualdade com a restante população discente ao nível da integração na vida social e académica e em termos de resultados e níveis de conclusão das formações.
João Carlos Pascoinho é professor na ESEF e responsável pelo Gabinete de Acesso e Ingresso.











