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Resumo - TER e HAVER - verbos auxiliares dos tempos compostos; o particípio passado e o seu complemento direto. Do séc.XIII até finais da 1ª metade do séc.XIV

Os verbos TER e HAVER, enquanto auxiliares dos tempos compostos, apresentam evolução no seu emprego já na Época Medieval, concretamente desde a primeira metade do séc.XIV. Com efeito, enquanto HAVER é o auxiliar por excelência em CANTIGAS D’AMIGO, com apenas uma exceção para TER no verso “ou o fez ou já o feito ten”, repetido três vezes no refrão da cantiga CCLXXXIV, em PORTVGALIAE MONVMENTA HISTORICA o verbo TER já desempenha idêntica função em 17 ocorrências, ou seja, em 35% da auxiliaridade.

Se a evolução de TER e consequente regressão de HAVER enquanto verbos auxiliares são evidentes no estudo destas duas obras, as mesmas permitem encontrar os primeiros sinais da passagem da concordância à invariabilidade do particípio passado com o seu complemento direto. Na verdade, enquanto em CANTIGAS D’AMIGO todos os particípios passados concordam em género e número com o seu complemento direto, em PORTVGALIAE MONVMENTA HISTORICA, concretamente no LIVRO DE LINHAGENS DO CONDE D. PEDRO, há uma ocorrência com o auxiliar HAVER cujo particípio passado se apresenta invariável perante um complemento direto do género feminino, havendo também invariabilidade do particípio com o auxiliar TER em duas ocorrências que contêm complemento direto igualmente do género feminino. Estes primeiros sinais da invariabilidade do particípio na Língua Portuguesa verificam-se na construção sintática Verbo Auxiliar (V.A.) + Particípio Passado (P.P.) + Complemento Direto (C.D.), ou seja, é com o complemento direto posposto ao particípio que aparecem as primeiras “transgressões” à norma de então.

Por estas duas obras podemos ainda ver a variada construção sintática – C.D. + V.A. + P.P.; V.A. + C.D. + P.P.; V.A. + P.P. + C.D.; C.D. + P.P. + V.A.; P.P. + V.A. + C.D.; C.D. + P.P. + V.A. + C.D. – que, nos séc.s XIII e XIV, nos apresenta a Língua Portuguesa.

 

Abstract

The verbs TER and HAVER, as auxiliary verbs of compound tenses, already presented an evolution in the Middle Ages, more precisely since the first half of the 14th century. Actually, while the verb HAVER is the main auxiliary verb used in CANTIGAS D’AMIGO, which is an exception for the verb TER in the verse “ou o fez ou já o feito ten”, repeated three times in the refrain of song CCLXXXIV, in PORTVGALIAE MONVMENTA HISTORICA, the verb TER already has an identical function in 17 situations, that is to say in 35% of  these auxiliary verbs.

 

If the evolution of the verb TER and the consequent regression of HAVER as auxiliary verbs are evidents in the study of these two literary pieces, the same make it possible to find the first signs of the transformation of the agreement to the invariability of the past participle with its direct object. Indeed, while in CANTIGAS D’AMIGO all the past participles agree with the direct object in gender and number, in PORTVGALIAE MONVMENTA HISTORICA, more precisely in LIVRO DE LINHAGENS DO CONDE D. PEDRO, there is a situation with the past participle of the auxiliary verb HAVER, which is invariable towards the feminine direct object. There is also invariability of the participle with the auxiliary verb TER in two occurences which also have a feminine direct object. These first signs of the invariability of the past participle in the Portuguese Language occur in the syntactic construction Auxiliary Verb (A) + Past Participle (P.P.) + Direct Object (D.O.), that is to say it is when the direct object is used after the past participle that the first “transgressions” to the rule of the time happen.

 

Throug these two literary pieces we can also find the varied syntactic construction – D.O. + A + P.P.;   A + D.O. + P.P.;   A + P.P. + D.O.;   D.O. + P.P. + A;   P.P. + A + D.O.;   D.O. + P.P. + A + D. O. – which occurred in the Portuguese Language in the 13th and 14th centuries..

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